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“Passei  esses 7 anos observando esse povo vivendo e sobrevivendo na floresta amazônica acreana. Vivendo com tanto cuidado e respeito, tentando sempre evoluir sem perder as raízes, ao mesmo tempo compartilhando seu modo de vida com quem chega e com quem vai, e fazendo pontes para o mundo dos encantos e dos poderes que regem sua existência, sem medo de perder, sem escassez, com uma generosidade e beleza sem igual. Mesmo com tantos problemas, com tantos descasos e ataques dessa sociedade avassaladora que vivemos, eles estão lá na floresta, fazendo suas casas de madeira e palha, fazendo seus roçados, acendendo a fogueira para cozinhar seu alimento e fazerem suas rodas, ainda saem pra caçar, cantam seus cantos de cura, alegria e abundância, tecem com palha e algodão, fazem seus remédios e estão na luta para continuarem com sua cultura viva.

A fotografia é incapaz de trazer tudo isso.

Podemos imaginar que ela é como um pequeno portal que traz apenas uma fina camada do que é esse povo, essa consciência e essa convivência que tivemos e temos.

É como uma brisa que bate no fim da tarde na beira do rio ou do igarapé.

É como uma brilho que reflete na agua.

É como uma fenda que se abre no tempo.

Algo que apenas traz uma mémoria do que poderia ser, do que foi e do que é essa gente.””

Camilla Coutinho